sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A Festa dos Foliões e a Tristeza Protestante



Tira o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor.

Minha velha Vovó repetia, por vezes, um adágio popular repleto de sabedoria: “Não é por que um burro dá um coice que se cortam as suas patas!” Na verdade é uma espécie de resumo de um fundamento básico de qualquer boa análise crítica para que não se caia na armadilha metonímica: confundir a parte com o todo.
Harvey Cox em seu livro A Festa dos Foliões, muito importante para quem deseja entender o valor da liturgia, faz uma análise do lúdico e de seu valor para a vida em sociedade, bem como para o indivíduo. Na verdade é uma aplicação dos conceitos utilizados por Johan Huizinga no livro Homo Ludens e, em certo sentido, por Pierre Bourdieu em Economia das Trocas Simbólicas. 
Cox conjuga os sentidos do “jogo” e do “brinquedo” de Huizinga com a análise de Bourdieu da teoria da religião de Max Weber. Uma mistura do valor da celebração, da festa e do lúdico para a saúde pessoal e social, bem como a crítica de um espírito, equivocado, e que somente valoriza o trabalho e a produção como responsáveis pelo bem da sociedade e do indivíduo.
O protestantismo, marcadamente o puritanismo, produziu uma religião cuja ética básica para o indivíduo encontra-se no trabalho e na produção. Por isso, fez uma severa e prejudicial mutilação litúrgica, desvestindo-a dos símbolos, da mística, da arte sacra, resumindo-a, como muito bem disse o Bispo Dom +Robinson Cavalcanti a “quatro paredes caiadas e um sermão”.
Tal somatório gerou uma ética que hiperbolicamente valoriza o trabalho e desvaloriza o lúdico. Nas terras deste Brasil, tal mentalidade, empobrecida pela falta de formação intelectual, quer dos leigos, quer do clero, gerou uma visão empobrecida e falsa e do mundo e do ser humano. Esta visão de mundo e do ser humano fica clara e transparente nas análises “críticas” da maior festa popular do mundo: O Carnaval.
Estas análises acabam pecando no erro que minha vovó desejava que eu, menino, sem sabedoria, não cometesse: a armadilha metonímica. Esquecem que o sério e determinado Dom Quixote, em sua cruzada moral e cavalheiresca, não existe sem o tolo e bufão Sancho Pança. O ser humano é, na verdade, um somatório destes dois símbolos. Ele se pensa como um cavaleiro cheio de nobreza e em busca de altos ideais, mas é uma criança simples e, por vezes, tola, que necessita expressar-se, brincar e se divertir. E, presas na armadilha, as análises condenam o todo por causa dos excessos da parte.
Se desejamos saber se este método está correto (julgar o todo pela parte), basta aplicá-lo a outras análises. Vejamos: cultos neopentecostais exploram as pessoas, logo, todos os cultos são explorações; meu marido me traiu, logo, todos os homens são adúlteros; um padre abusou de uma pessoa menor de idade, logo, todos os religiosos são pedófilos. E se poderia aplicar “ad infinitum” o método e sempre ele se revelaria falso e com conclusões falsas. Justo por que, em lógica, não se aplica ao geral o que é apanágio do particular. Tal análise ou juízo é sofismático.
Entretanto, tal sofisma, confirma um dos fundamentos  do mutilado protestantismo brasileiro: a cultura está sob o domínio do diabo. Lutero pôs fim aos conventos, ao celibato do clero, recolocando a vida eclesiástica de volta ao mundo. Mas o estranho protestantismo brasileiro “demonologizou” a cultura, criando uma área de administração para o diabo no mundo. Por isso a armadilha metonímica tem lugar analítico entre evangélicos e encontra respaldo de verdade no coração dos crentes. A falsidade ganha foro de verdade por causa da estrutura capenga do protestantismo brasileiro.
Os excessos do Carnaval não roubam o seu valor lúdico, nem os benefícios do brinquedo para a saúde mental, nem da fantasia para a sublimação. Nossa cultura é alegre, festiva, quase infantil em suas expressões de beleza. Não há mal no Carnaval. Mal é sempre o coração ou a mente: “tudo é puro para os puros” (Tt 1.15). E, tal maldade, não necessita do Carnaval para ser e se expressar. Ela pode estar revestida de símbolos e cânticos sagrados e ser tão ou mais perversa do que um brinquedo, uma dança, uma expressão lúdica e popular. Está no silêncio diante da injustiça ou no bem que não se faz por covardia e interesse.
Não se realiza qualquer inculturação, conforme exige o ethos anglicano, demonologizando a cultura brasileira. Nem se pode condenar o sorriso de muitos por causa da dor de alguns. Seria como tornar a faca um instrumento criado pelo diabo, somente pelo fato de um perverso assassino tê-la utilizado para dar vazão à maldade de seu coração. Penso ser o tempo de resgatar a beleza da festa, o valor do lúdico e integrar o anglicanismo na cultura brasileira.
Um abraço fraterno,
Ven.Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes+, ofa

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

350 anos do Livro de Oração Comum - LOC


Liturgia: Universalidade, Localidade, Humildade


Nesse ano, como anglicanos, celebramos os 350 anos da edição, que se tornou padrão, de 1662, do Livro de Oração Comum (LOC). Todas as edições posteriores, provinciais ou diocesanas do LOC (como o nosso Livro de Oração Comum Brasileiro – LOCb) o têm como base e referência. A liturgia anglicana preenche todos os requisitos de um Cristianismo Apostólico, Reformado, saudável e dinâmico. As palavras do LOC não foram “psicografadas” pelo Arcebispo Thomas Cranmer e sua equipe, mas compiladas de séculos de elaboração, primeiro no Judaísmo (como a Liturgia da Palavra, que começa no exílio), e, depois, das tradições cristãs (Ritos Eucarísticos e Especiais), sendo o mais antigo a de Tiago, irmão do Senhor (até hoje adotado pelos Sirianos), até o Rito de Sarum (Salisbury). Há, assim, tanto a dimensão vertical (histórica) quanto horizontal (universal) que marcam a catolicidade da Igreja, traduzidas para os vernáculos, e em linguagem atualizada, de conteúdo profundo e ortodoxo, e forma participativa.

Mas, o LOC também é local, à medida que permite, de forma intercalada ao seu texto, orações espontâneas, leituras bíblicas diversificadas, sermão próprio, músicas de solo, conjunto, corais ou congregacionais, drama, jograis, comunicações, etc. Se ficássemos apenas no texto do LOC perderíamos a localidade, e se o eliminamos totalmente por “nossas palavras”, perderíamos a universalidade. Tenho dito, para a nossa Diocese que um alvo realista e sensato é que qualquer dos nossos fiéis que viajem para o exterior seja capaz de seguir os cultos locais e que cada ministro, em idêntica situação, se convidados, possam celebrar com desenvoltura as liturgias de suas jurisdições coirmãs. Apenas as palavras do LOC nos assemelhariam aos católicos romanos ou aos ortodoxos orientais; apenas o improviso das palavras “nossas” (às vezes repetição mais medíocre) nos assemelharia aos batistas e pentecostais. Em ambos os casos, sacrificando a identidade e privando o outro da edificação das diferenças que nos caracterizam.

Mas, nossa preocupação nesses tempos do culto-show, do exibicionismo pastoral, de personalidades narcísicas e megalômanas, é com o desvio da glória unicamente devida a Jesus Cristo, e a necessidade do cultivo, pela liderança cristã, da virtude da humildade. Na liturgia, também “é preciso que Ele cresça e que eu diminua”. Estudos apontam para os ritos eucarísticos anglicanos como aqueles que tornam praticamente impossível a mostração ou o exibicionismo pastoral, tão centrado que são na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Celebrar a Eucaristia com regularidade não é apenas manter uma tradição salutar da Igreja pela alimentação espiritual dos sacramentos, mas um exercício educativo de cristocentrismo e “cortar das asas” do exibicionismo pastoral.
Por estar escrito, o LOC não sinaliza uma “liturgia de letrados”, pois convertidos analfabetos na África, na Oceania ou no interior da Paraíba, o memorizam e com devoção participam dos ofícios de forma a mais dinâmica.

Cercados, ora pela Igreja Romana, ora pelas Igrejas Batistas e Pentecostais, lamentamos que clérigos nossos façam “corpo mole” com a nossa liturgia oficial, movidos por um sentimento de inferioridade diante das “formas informais” (outras formas...) dos nossos vizinhos, de gramas mais verdes, associando a “santa bagunça” como causa de crescimento quantitativo (inclusive financeiro...).

Nesse ano de 2012, 350 anos da edição de 1662 do Livro de Oração Comum (LOC), devemos promover a desromanização, a desbatistização e a despentecostalização dos nossos cultos, para sermos mais quem somos, termos algo peculiar para contribuir para o conjunto do cristianismo reformado no Brasil, e para a maior honra e glória do nosso Deus.

O caciquismo eclesiástico nos mutilou no passado, como um anglicanismo “sui generis”: sem LOC, sem Cânones e sem Bispos. Que o passado seja passado!

Paripueira (AL), 16 de janeiro de 2012,
Anno Domini.

+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O devido uso do amém

Queridos irmãos,
Queridas irmãs,
 
Paz e Bem.
 
Permitam-me as observações que faço, abaixo sobre a expressão AMÉM!
 
A palavra AMÉM é formada por de um acróstico (um acróstico é quando nós tomamos a primeira letra de cada palavra de uma frase e formamos através delas uma nova palavra) e, em hebraico é: El melerr n’ emam! Isto significa: "Deus meu Rei é fiel para cumprir Suas promessas". Quando dizemos AMÉM estamos na realidade afirmando a fidelidade do Senhor no cumprimento de suas promessas!

Estou escrevendo esta definição, justamente pelo fato de ver, quase sempre as pessoas utilizarem esta INTERJEIÇÃO como se fosse uma INTERROGAÇÃO. O AMÉM é uma afirmação categórica, uma breve confissão de fé. Por isso ele é uma interjeição: Sim! Deus é Rei e fiel! Ele cumpre o que promete! Transformar a interjeição em uma interrogação, pressupõe que Deus não é Rei, é infiel e pode não cumprir o que promete. Isso beira à irreverência ou à heresia.

A expressão: AMÉM? Ou AMÉM!?! Não existe. Ela é impossível quando se refere a Deus. Utilizá-la desta forma incorreta e absurda, é ofender a Deus como Senhor, à Sua fidelidade e duvidar da Sua Palavra. É pressupor que Ele seja um homem para mentir, ou um filho do homem para se arrepender, pois poderia prometer e não cumprir.

Tal “hábito”, penso, presente no linguajar litúrgico de alguns, é mera ignorância do significa do termo e de seu uso na liturgia ou na oração. Faz-se isso por repetição e cópia, sem reflexão ou entendimento.

Diz São Paulo: Porque quantas são as promessas de Deus tantas tem n’Ele [Jesus Cristo] o SIM; porquanto também Ele é o AMÉM para a glória de Deus, por nosso intermédio (2Co 1.20). Transformando isso numa interrogação, seria assim: Jesus é o NÃO às promessas de Deus, pois Ele poderia ser a afirmação da glória divina? Isso seria cômico, se não fosse trágico.

Jesus é o SIM e o AMÉM divinos! Assim seja!

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Ven.Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes+, ofa

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Reflexão - Revista Ultimato 1º Bim/2012


Conflito de Símbolos e Mandato Cultural


Bispo Robinson Cavalcanti ([i])


O panorama religioso do mundo mudou profundamente nas últimas décadas, após o fim da Guerra Fria: “mundo livre”, ou Civilização Ocidental e Cristã vs. os “inimigos” do Império Soviético, em um esquema maniqueísta. Há sinais de vitalidade religiosa em áreas do antigo regime marxista, e sinais de declínio religioso em áreas da antiga “Civilização Ocidental”, cada vez mais excristã, pós-cristã e anticristã. Há bolsões de repressão religiosa no que resta de países comunistas, mas o fato novo – e preocupante – é o florescimento de partidos e movimentos hinduístas, budistas e islâmicos extremistas, advogando o fim da separação entre religião e Estado e a afirmação de suas nacionalidades pela vinculação a religião, e consequente discriminação contra as demais, notadamente o cristianismo. 

Uma revista brasileira de circulação nacional, em recente reportagem, mostrou a crescente perseguição aos cristãos em amplas áreas do globo. A Inglaterra – ex-celeiro de missionários – é o epicentro do Secularismo anticristão no Ocidente, que vai rapidamente se espalhando. É considerado normal para um judeu ortodoxo usar um solidéu, para uma islâmica usar um véu, para o sikh usar um turbante, mas apenas o uso da cruz vai sendo banido, tido como “ofensivo” para a sociedade secularista (multiculturalismo + politicamente correto + agenda GLSBT). A periodização histórica em “antes de Cristo” e o “Anno Domini” vai sendo substituída pelo antes e depois da “Era Comum”. Ministérios estudantis, como a ABU (IVF), vão sendo restringidos, por apresentarem apenas um caminho de salvação e um modo de se viver a sexualidade. Nos Estados Unidos se proíbe a Tábua da Lei em Tribunais, ou o uso da saudação “Feliz Natal” (deve ser apenas “boas festas”), e os símbolos cristãos (cruz, peixe, alfa e ômega, cordeiro) vão sendo varridos em sua visibilidade dos espaços públicos. Proibidos, também, o uso do argumento religioso na esfera pública, os cristãos ocidentais vão sendo empurrados para um gueto, com sua fé restrita às suas consciências, seus lares e seus templos, sem relevância histórica ou influência social.

O ódio secularista se dirige, prioritariamente, ao monoteísmo de revelação, por afirmar conceitos e preceitos morais, tidos como preconceitos, por uma sociedade relativista, amoral e hedonista. Enquanto isso o Islã, financiado pelos petrodólares, vai construindo enormes e visíveis mesquitas no Ocidente para onde emigraram, e em países periféricos onde atuam, com a torre de seus minaretes como lugares mais altos, em uma afirmação de influência e de poder. 

O conflito político-ideológico-econômico vai sendo substituído por um conflito de símbolos religiosos como expressão mais tangível do que já foi denominado de “choque de civilizações”, porque por trás dos símbolos há um conteúdo de valores e estilos de vida, com profundos desdobramentos para os povos. Enquanto isso, nós cristãos, somos ensinados que a humanidade tem um mandato cultural que foi maculado com o Pecado Original, e que é dever da Igreja recuperá-lo segundo o ideal do Criador, ao promover os valores do Reino de Deus, o Direito Natural e o Bem-Comum, como mensageiros, missionários, evangelistas, embaixadores, sal e luz, não de uma Cristandade político-militar ou teocrática, mas afirmadora da soberania de Deus sobre a História, e o reinado do singular Jesus Cristo sobre as nações, o que implica em uma evangelização das culturas, afirmadas, mas chamadas à transformação segundo o projeto do Senhor e o caráter de Cristo. Todas elas estarão um dia diante do Cordeiro. O próximo momento da História será, sem dúvida, um conflito também, e muito, de símbolos (hoje já proibidos ou restringidos).

O bispo anglicano Julian Dobbs tem sugerido a necessidade urgente e imperiosa de uma ampla campanha para que o povo cristão use uma cruz ou outro símbolo cristão como adereços (cordões, lapelas), e os clérigos o seu colarinho ou outra expressão exterior da sua condição, como forma de identificação, afirmação, resistência e testemunho. Nesse sentido, o protestantismo latinoamericano, com sua radical iconoclastia, rejeitando toda beleza, arte plástica e símbolos na adoração (arquitetura e decoração de templos, vestes clericais, etc.), associada, equivocadamente, com idolatria ou com a Igreja Romana, dá um tiro no pé, como “inocente útil” dos adversários, despreparada e fazendo gol contra. 

O secularismo que quer varrer nossos símbolos, para varrer nossa presença e influência, e o Islã, que quer afirmar os deles, e sua hegemonia mundial, agradecem. Ou o protestantismo latinoamericano (e brasileiro) iconoclasta, presentista e informalista, permite que Deus o cure dessa enfermidade espiritual imatura, indo além do discurso ou do show, resgatando uma rica herança, patrimônio de toda a Cristandade, ou vamos ter uma ausência de protagonismo, ou um protagonismo negativo no próximo capítulo da História da Civilização e da História da Igreja. 

A Bíblia, a História, a Antropologia Cultural e a Psicologia Social ajudariam esse salto de qualidade.




[i] Dom Robinson Cavalcanti é bispo anglicano da Diocese do Recife e autor de, entre outros, Cristianismo e Política – teoria bíblica e prática histórica e A Igreja, o País e o Mundo – desafios a uma fé engajada e Anglicanismo: Identidade, Relevância, Desafios.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

350 anos do Livro de Oração Comum - LOC



Tabela Cronológica (Provisória) do LOC
Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto (*)



Durante todo ano de 2012 a Comunhão Anglicana estará promovendo celebrações referentes aos 350 anos da edição do Livro de Oração Comum (1662-2012), e, inspirado no lema diocesano para o ano: “2012: Ano da Liturgia (350 anos do Livro de Oração Comum – LOC): – Conceitos eternos, Palavras históricas, Relevância atual” (Êxodo 35.20-21), desejei, em meu coração, estabelecer uma linha histórica que pudesse nos ajudar em pesquisas sobre o LOC. Tem nome “provisório”, pois entendo que esta tabela poderá ser melhorada, num trabalho ‘em equipe’. Ela consta de datas importantes das edições dos LOCs e eventos paralelos que considerei significativos.



O caminho geográfico seguido foi: Inglaterra – a vinda do LOC para os Estados Unidos –  e a vinda do LOC para o Brasil, através dos Estados Unidos: 


1085 O Missal de Uso do Rito de Sarum.

1534 Ato de Supremacia de Henrique VIII.

1536 Os Dez Artigos de Religião.

1539 Os Seis Artigos de Religião.

1540 A "Grande Bíblia", "versão autorizada" por Henrique VIII, elaborada por Myles Covardale.

1543 Comitê de Convocação para revisar os livros de serviços religiosos.

1543 “A Necessária Doutrina e Erudição Para Qualquer Homem Cristão", publicado.

1544 Primeira Litania em Inglês preparada por Cranmer e determinada para uso nas igrejas.

1545 A Cartilha de Henrique VIII.

1547 31 de janeiro. Ascensão do Rei Eduardo VI.

1548 08 de março. Ordem Inglesa da Comunhão adicionado à missa em latim.

1549 21 de janeiro. O Livro de Oração Comum: Primeiro Livro de Eduardo VI, adotado.

1550 Preparo e publicação do Ordinal Inglês.

1552 15 de abril. O Livro de Oração Comum: segundo livro de Eduardo VI com aprovação real.

1552 Os Quarenta e Dois Artigos de Religião de Eduardo VI.

1558 17 de novembro. Sobe ao trono a Rainha Elizabeth I.

1558 Ato de Supremacia da Rainha Elizabeth I.

1559 Os Onze Artigos de Religião.

1559 28 de abril. O Livro de Oração Comum recebe aprovação real de Elizabeth I.

1562 Os Trinta e Nove Artigos de Religião.

1603 07 de maio. Ascensão de James I.

1604 A Conferência de Hampton Court (Petição dos Mil: 1000 ministros puritanos pedem mudanças litúrgicas ao Rei).

1626 2 de fevereiro de. Ascensão de Charles I.

1637 O O Livro de Ordem Comum Escocês (após unir as duas coroas: Inglesa e Escocesa).

1644 O Diretório para o Culto Público de Deus (Diretório de Westminster) substitui o LOC elizabetano.

1649 30 de janeiro de. Decaptação de Charles I.

1660 Ascensão de Charles II.

1660 O uso do Livro de Oração Comum é restaurado.

1662 19 de maio. Ato da Uniformidade para o atual LOC Inglês.

1666 Ato da Uniformidade Irlandês.

1685 06 de fevereiro. Morte de Charles II.

1685 23 de abril. Ascensão de James II.

1688 Revolução Gloriosa, deposição de James II e ascensão de William III (Guilherme de Orange) e Mary II.

1701 16 de setembro. Morte de James II.

1786 O "Livro Proposta" (LOC) da Igreja Episcopal Protestante dos Estados Unidos da América.

1789 A primeira das oito edições normativas do LOC conforme o uso da Igreja Episcopal Protestante dos EUA.

1810 Assinatura do Tratado de Comércio e Navegação entre Portugal/Brasil e a Inglaterra.

1819 Construção da Primeira Capela Anglicana do Brasil (Cidade do Rio de Janeiro).

1822 26 de maio. Inauração da Christ Curch (Capela Anglicana – Rio de Janeiro).

1823 Estabelecimento da Holy Trinity Church (Capela Anglicana – Recife).

1861 Tradução para o português do Livro de Oração Comum (USA) por Richard Holden.

1893 Igreja Protestante Episcopal no Sul dos Estados Unidos do Brasil.

1928 Proposta, não aprovada (pelo Parlamento), de alteração do LOC Inglês.

1928 Novo LOC da Protestant Episcopal Church in USA.

1930 Primeiro LOC brasileiro (trabalho sob a supervisão do Bispo Thomas).

1950 Última edição do LOC brasileiro de 1930, com revisão ortográfica.

1983 Sínodo Geral da Igreja Episcopal do Brasil aprova o LOC.

2008 Edição do Livro de Oração Comum Brasileiro, Igreja Anglicana-Diocese do Recife.





* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; Venerável Arcediago Sul-Sudeste; Frei da Ordem Franciscana Anglicana (OFA).



 


domingo, 25 de dezembro de 2011

Minha mensagem de Natal!  

Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes*



Queridos irmãos,
Queridas irmãs,


Paz e Bem.


Gosto da festividade do Natal. Não gosto de quem sob pretexto de ser “espiritual”, critica a festa natalina. Gosto da festa do Natal e gosto do espírito do Natal. Gosto das luzes, dos presentes, das deliciosas comidas. Gosto de ver as pessoas pensando em solidariedade, nas crianças pobres, na mesa das famílias pobres. Nunca pensam nisso durante o ano todo e, quando chega o Natal, ao menos pensam… mas sempre tem um estraga-prazer dizendo que não devemos esquecer a mensagem do Natal: o nascimento de Jesus Cristo. Como se festejar, alegar-se, partilhar, lembrar da dor de uma pessoa, não esquecer as crianças pobres, fosse alguma coisa contrária a tudo o que ensinou Jesus Cristo.

Na verdade a história do primeiro Natal, a tal do nascimento de Jesus, é uma mistura de tristeza e ternura. A cena é triste porque eles foram rejeitados e não havia lugar para eles. É triste porque um jovem esposo vê chegar a hora derradeira de sua esposa adolescente e nada pode fazer senão invadir um estábulo. É triste o desamparo daquele homem e de sua pobre esposa. É triste porque o abandono e o desamparo sempre hão de causar comoção e tristeza. A jovem Mãe nada tem: rasga trapos e envolve seu rebento. O pobre Pai improvisa um berço com o coxo do estábulo.

Entretanto, é terna porque lá está, apesar de tudo, a sagrada família reunida: José, Maria e o Menino. É terna porque lá está a solidariedade manifesta pelos primeiros visitantes: os pastores do campo. É terna porque lá estão pessoas dando presentes a um Menino que nasceu no estábulo e seu berço era um coxo. É terna porque o canto dos Santos Anjos toma a solidão da noite, embelezando com arte a pobre cena do presépio. É terna por causa da luz da Estrela Guia, iluminando as trevas da noite com a beleza de seu brilho. 

Fico pensando na cena terna e triste, e entendo que os pastores, os magos, os bichos do estábulo são os que dizem a verdadeira mensagem natalina. O Natal deve ser sim de solidariedade, deve ser sim um dia de para lembrar dos pobres, das crianças, de embelezar as cenas triste da vida com cânticos, com arte, com luzes, com uma visita amiga, com presentes.

Eu gosto do Natal. Gosto do espírito do Natal. Gosto da festa do Natal, pois eu amo de todo o coração, de toda a alma, com todas as forças e de todo o meu entendimento o Menino que nasceu. Eu entendi a sua mensagem quando nasceu e viveu aquela cena terna e triste do primeiro Natal, na solidariedade, em família, sendo o Grande Presente de Deus ao mundo.


Feliz Natal a todos!
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* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; Venerável Arcediago Sul-Sudeste; Frei da Ordem Franciscana Anglicana (OFA).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011


Febre anglicana entre os jovens nos EUA


Durante décadas, os jovens têm ido a igrejas “amigáveis” (seeker-friendly) que tinham cultos culturalmente relevantes e um ambiente casual. Agora, uma nova denominação que enfatiza tradição,  sacramentos e práticas antigas está atraindo muitos jovens.

A Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA) começou oficialmente em 2009 com centenas de congregações que terminaram os laços com a Igreja Episcopal dos USA. Em Albany Park, Chicago, um grupo de universitários e graduados começaram uma nova igreja da ACNA. Os cultos acontecem nas tardes de domingo, em um prédio (alugado) da igreja que é perto de vários campus universitários.

Nova Denominação, o Culto Antigo

Enquanto os membros da congregação se vestem casualmente, o culto tem um estilo mais formal e litúrgico. Os alunos que conversaram com a CBN News, disseram que é isso exatamente o que eles gostam. “Eu amo a ênfase na Escritura. Adoro que lemos quatro textos bíblicos todos os domingos, assim realmente recebemos a Bíblia a cada domingo”, disse Andie Roeder, que estuda no Moody Bible Institute. “E eu amo o jeito que ele é interativo, tem uma chamada e uma resposta, e você ora constantemente,” disse ela. O diácono, Mike Niebauer, que supervisiona tanto a congregação de Albany Park, como outra na Northwestern University em Evanston, disse que a liturgia constrói comunidade e ajuda os alunos que muitas vezes desejam estar conectados. “Eu acho que muitas pessoas, especialmente jovens, se sentem como se eles não estivessem conectados em lugar nenhum, não enraizados em nenhuma coisa, principalmente as pessoas que mudam de lugar,” disse. “Então, a idéia de que a igreja tem raízes e sua adoração tem ao redor de 2.000 anos, acho que uma coisa que atrai muito a eles,” disse Niebauer.

Febre Anglicana

Arcebispo Robert Duncan apelidou o movimento como “Febre Anglicana” em um discurso no Congresso Lausanne no ano passado. CBN News falou com líderes Anglicanos que estão testemunhando nas comunidades universitárias surgidas da Flórida a Massachusetts e além. Uma possível razão para o crescimento é a autenticidade. Muitas congregações na nova denominação entregaram os edifícios e propriedades, a fim de romper com a Igreja Episcopal e sua teologia cada vez mais liberal. Um dos piores casos ocorreu em Binghamton, NY, onde a Igreja Episcopal expulsou a congregação Bom Pastor e, em seguida, vendeu sua propriedade para uma mesquita. Reitor Matt Kennedy descobriu o novo proprietário, enquanto ele estava dirigindo pela propriedade e viu um guindaste derrubar o campanário. “Foi muito triste”, disse ele. “Porque é um lugar onde o evangelho tinha sido pregado geração após geração.” “As pessoas têm vindo a conhecer Jesus Cristo, as pessoas foram trazidas das trevas para a luz e, agora, ele foi vendido a um grupo que promove a escuridão”, acrescentou Kennedy.

Uma abordagem diferente

Enquanto a luta pelas propriedades é ainda uma realidade para muitas congregações, a liderança de ACNA não quer se concentrar no drama do Forum. Em vez disso, o grupo tem uma visão ambiciosa de plantar 2,000 novas igrejas com o objetivo de dobrar de tamanho em cinco anos. A estratégia envolve uma combinação de tradição anglicana com modelos de plantação de igreja moderna a partir de África. “Eles estão realmente seguindo algumas das igrejas anglicanas do sul global em como estão plantando igrejas usando uma liderança menos treinada”, explicou Lon Allison, especialista em evangelismo e Diretor do Centro de Billy Graham no Wheaton College. Isto é exatamente o que está acontecendo em Chicago. Rev. William Beasley tem supervisionado o plantio de 9 igrejas anglicanas em torno dos campus universitários. Ele disse que espera um crescimento continuado com os alunos. “Acho que estamos realmente apenas no começo”, disse ele. “Estamos no começo de alguma coisa que está destinada a crescer exponencialmente.”

O que atrai os jovens para a Igreja Anglicana é o que muitos não esperariam. São os sacramentos, a Santa Comunhão semanal e as orações tradicionais e o fato de que toda a congregação participa de leitura. “Eu gosto do fato de que é algo que os cristãos ao redor do mundo estão dizendo, e que vem dizendo há muito tempo”, disse Josh Melby, estudante de Wheaton College. “Eu cresci em uma igreja batista toda a minha vida”, diz Michelle Nelson. “Então, chegando a uma igreja anglicana, onde há liturgia e sacramentos a cada semana, eu aprecio a tradição.”

Avançando com Fé

Os estudantes também apreciam as conexões globais da igreja. A ACNA faz parte da Comunhão Anglicana e tem desfrutado de uma relação estreita com os Anglicanos Ortodoxos na África e América do Sul.

Outra área de crescimento para a nova denominação está na comunidade latina. CBN News visitou um culto de adoração em Franklin Park, Chicago. Os latinos apreciam o estilo de adoração Anglicana, sua reverência e sua comunidade. Tudo isto são sinais encorajadores para uma denominação jovem determinada a avançar o Evangelho e multiplicar a Igreja.
 
Fonte: CBN NEWS, 16 de dezembro de 2011.