quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Ano Litúrgico



Diferente dos calendários cívicos, que celebram e comemoram obras humanas, o Ano Cristão (AC) ou Calendário Litúrgico (CL) celebra o que Deus fez em Cristo, o que continua a fazer hoje, mediante o Espírito Santo, e o que Ele promete fazer no futuro.  Assim, o calendário da Igreja vem nos lembrar, continua e sistematicamente, durante tempo cronológico de um ano, dos feitos redentivos de Deus na história, cujo centro é o kairós - o "tempo oportuno" - identificado na Encarnação do Filho e no Mistério Pascal. No esquema deste calendário, Cristo está no seu devido lugar: no centro da história! Reforça, também, a confiança da Igreja na realidade de que a salvação não vem de nós, e sim da graça de Deus em Cristo Jesus. O AC nos lembra ainda da tensão entre o e do ainda não que marcam a misteriosa epifania do Reino: este está presente, mas ainda virá!  Daí entendemos que o resgate ou mesmo a descoberta do AC - junto com seu uso - abundante em teologia e espiritualidade cristãs, urge com forte apelo, em nossos dias, sobre contexto de boa parte do segmento protestante histórico brasileiro e quase que inteiramente sobre seu ramo evangelical, mais jovem, cujas essência e forma parecem-nos nitidamente mutiladas e esvaziadas de significado e de sentido. De certa forma, poderíamos falar até de uma completa dessacralização da vida, da doutrina e do liturgia em diversas denominações e "comunidades" evangélicas. Não há mais rito nem símbolos, não há mais lugar para a contemplação do mistério, perdeu-se a consciência do divino e a religião cristã agora parece-se mais com uma filosofia hedonista de auto-ajuda: antropocentrista em sua orientação, triunfalista quanto ao seu desígnio e esnobe em relação ao passado.

Visando, então, colaborar com os que buscam retornar a tudo o que era, que é e que sempre será comum à fé cristã histórica - o Projeto Litourgos apresenta, a seguir, a primeira parte de um importantíssimo texto sobre o Ano Cristão ou Calendário Litúrgico, de autoria do Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes. Esperamos que nossos leitores, especialmente clérigos (presbíteros, diáconos), seminaristas, ministros leigos, liturgistas e professores de escola dominical possam aproveitar bem este magnífico estudo sobre Calendário Litúrgico Cristão.

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 O Tempo Cristão: O Calendário Litúrgico - Parte I

Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes*


Para que seja plenamente entendido o significado do Calendário Cristão torna-se fundamental entender o sentido que existe no conceito de “tempo” para qualquer pessoa. O Rev. Prof. James F. White nos ajuda a entender o sentido do tempo para todos nós, ao afirmar:

A maneira como usamos o nosso tempo é uma boa indicação do que consideramos de importância primordial na vida. Sempre poderemos ter certeza de encontrar tempo para aquelas coisas que consideramos mais importantes, embora nem sempre admitamos perante os outros ou perante nós mesmos quais são as nossas prioridades reais. (…) O Tempo fala. Quando o damos a outros, na verdade estamos dando a nós mesmos. Nosso uso do tempo não só mostra o que é importante para nós, mas também indica quem ou o que é mais significativo para a nossa vida. O tempo, então, expõe escancarada e involuntariamente as nossas prioridades. Ele revela o que mais valorizamos pela forma como alocamos esse recurso limitado. (WHITE, J.S. – Introdução ao Culto Cristão – ed. Sinodal, 1997, pg. 38)

Para os cristãos não é diferente. Os cristãos levam o tempo a sério. Pois eles sabem que a história é o lugar da revelação divina. Deus se mostra e se desvela no tempo. O Deus dos cristãos se mostra por meio de eventos históricos. Tempo e lugar são fundamentais na fé bíblica, pois os crentes conhecem a Deus por meios de atos concretos, localizados em um determinado espaço e marcado em um tempo determinado também. Por isso diz Paulo: Na plenitude do tempo, Deus enviou o Seu Filho, nascido de mulher e nascido sob a lei (Gl 4.4). Certamente baseado no que disse o próprio Jesus, quando afirmou: O tempo se cumpriu, o Reino de Deus está próximo (Mc 1.15).

Os cristãos iniciaram a organização do seu calandário pelo modo como organizaram, primeiramente, a sua semana. No primeiro dia da semana Deus iniciou a criação fazendo a distinção entre a luz e as trevas (cf. Gn.13-5). Os quatro evangelistas são unânimes em afirmar que na manha do primeiro dia o túmulo foi encontrado vazio. Eis a nova criação, com Jesus Cristo ressuscitado dentre os mortos, vence as traves com a luz da sua ressurreição. Por isso, neste dia, desde os tempos antigos dos Atos dos Apóstolos, os cristãos se reuniam, não mais no sábado, mas no domingo (que, aliás, ganha este nome por causa de Jesus sua ressurreição: Dia do Senhor).

Testemunham este fato, ou seja, de que o dia da reunião dos cristãos para o Culto do Senhor era o primeiro dia da semana, quando Deus, na criação venceu as trevas e quando Jesus Cristo venceu a morte as seguintes afirmativas neotestamentárias: 
No primeiro dia da semana [domingo], estando nós reunidos com o fim de partir o pão [eucaristia], Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso [sermão] até meia-noite. (At. 20.7)
No primeiro dia da semana [domingo], cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando [a coleta]. (I Co. 16.2)
Achei-me em espírito, no dia do Senhor [domingo], e ouvi por trás de mim uma grande voz, dizendo: (…) (Apc. 1.10)
No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana [domingo], Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. (…) E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e O adoraram. (Mt.28.1,9)
Havendo Ele ressuscitado de manhã cedo no primeiro dia da semana [domingo], apareceu primeiro a Maria Madalena (…). Finalmente, apareceu Jesus aos onze, quando estavam à mesa [eucaristia?], e censurou-lhes a incredulidade e dureza de coração [sermão?]. (Mc. 16.9,11)

Poderíamos falar ainda do caminho de Emaús, da Aparição para os 10, depois para os 11, tendo Tomé no meio deles, todas estas aparições realizadas no primeiro dia da semana, ou seja, no domingo, quando os cristãos reuniam-se para orações, partir o pão, ouvir a leitura das Escrituras e receber sua instrução. Além disso, se entendermos, com o Novo Testamento, que foi neste dia que o Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos, inaugurando a Igreja, torna-se ainda mais claro tal fato, como bem comenta o Rev. Dr. H. O. Old:
Olhemos um pouco mais de perto para alguns exemplos de adoração do Dia do Senhor na igreja cristã primitiva. Foi no Dia de Pentecostes, o qüinquagésimo dia, o primeiro dia da semana depois de sete semanas, que o Espírito Santo desceu sobre a igreja e os primeiros crentes foram batizados. Tinha já depois de apenas umas poucas semanas se tornado costumeiro para todos os cristãos se reunirem na manhã do primeiro dia da semana? É muito importante notar que foi no Dia do Senhor que nosso Senhor derramou Seu Espírito Santo. O primeiro dia da semana não foi apenas o dia da ressurreição mas o dia do dom do Espírito também. (OLD, Hughes Oliphant - Worship That is Reformed According to Scripture, de Hughes Oliphant Old, ed. John Press Knox, Atlanta, 1984)

Assim, o Domingo, tornou-se o dia da reunião dos cristãos para orações, ouvir a Escrituras e sua explanação e o partir do pão. Documentos cristãos primitivos e do tempo imediatamente após o período neotestamentário afirmam e confirmam tal prática (Didaquê, Plínio, Justino Mártir, Constituições Apostólicas, Tertuliano, dentre muitos outros). Neste dia os cristãos reuniam-se para celebrar a nova criação de Deus em Cristo Ressuscitado. A vitória da vida sobre a morte. Reuniam-se neste dia porque Jesus assim o quis, ao reunir-se com eles ressuscitado no primeiro dia da semana. Celebravam a Páscoa de Jesus Cristo, a sua passagem da morte à vida e, com isso, a nova vida que receberam de Jesus.

Nota-se a centralidade da Páscoa no domingo, de sorte que cada domingo é evento pascal. Isso nos leva a entender também que a Páscoa anual, tornou-se, de igual modo, um domingo anual. Foi assim que o primeiro evento do Calendário Anual veio a ser o Dia da Páscoa do Senhor Jesus Cristo. A Páscoa, que era o centro do Calendário Anual no judaísmo, torna-se, também o centro do primeiro Calendário Anual da Igreja, seguindo a orientação paulina quando usa esta festa para fazer a sua cristologia: Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa (…). Cristo, o nosso cordeiro pascal, foi imolado. Por isso celebramos esta festa. (I Co. 5.7-8). Como se pode notar o Dia da Páscoa era observado na primitiva Igreja.

(Continua)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A Liturgia Anglicana

 A Liturgia Anglicana pode ser divida em quatro partes: (1) os Ritos Iniciais; (2) a Liturgia da Palavra; (3) a Liturgia Eucarística; e (4) os Ritos Finais. Há partes fixas, que se repetem a cada celebração, e partes móveis, que permitem outros modos de expressão diante de Deus.

1) Os Ritos Iniciais: começam com um cântico (ou Salmo) e a procissão de entrada; o sacerdote ocupa o seu lugar, saúda o povo, pronuncia as palavras de acolhida; conduz o povo à confissão de pecados e pronuncia a absolvição e a Coleta do Dia.

2) A Liturgia da Palavra: consta das leituras na seguinte ordem: Antigo Testamento, Salmo (seguido do Glória Patri se este não foi lido ao início da celebração), Novo Testamento e Evangelho. As leituras são determinadas pelo calendário litúrgico e são extraídas do Lecionário do LOCb (onde se segue a leitura chamada trienal: ano A, B e C, uma para cada domingo do mês). Em seguida, vem o sermão, o credo e as orações do povo.

3) A Liturgia Eucarística: no LOCb prescreve várias orações eucarísticas alternativas, em geral inicia com o ofertório (ofertas voluntárias, em espécie, e oferta dos elementos: Pão e Vinho, trazidos ao altar), Grande Oração Eucarística, Pai Nosso, Fração do Pão, Comunhão, Oração Pós Comunhão.

4) Os Ritos Finais: constam da despedida, da bênção e do envio ao mundo em missão.


RITOS INICIAIS

a) Acolhida: é uma saudação informal onde o oficiante dá as boas-vindas aos demais participantes da celebração. Faz a introdução ao tema, ao assunto do respectivo domingo dentro do Calendário do Ano Cristão. Introduz o povo no ambiente da celebração. Saúda os visitantes;

b) Saudação: trata-se de uma saudação formal e recíproca, onde o oficiante e comunidade saúdam-se. De acordo com rubricas, existem três formas: uma utilizada da Páscoa até o Pentecostes; outras durante a Quaresma e em outras ocasiões penitenciais; e a mais comum, para as outras ocasiões do ano;

c) Coleta pela Pureza: uma das únicas partes da longa série de orações acompanhando cerimônias privadas do celebrante que o Arcebispo Cranmer conservou ao compor o primeiro LOC (1549). Ela provém do Rito de Sarum. É uma coleta exclusivamente anglicana (mas que pode ser encontrada nas orações luteranas para os oficiantes);

d) Gloria in Excelsis: no século VI era usado, assim como o Te Deum Laudamus, na Oração Matutina das igrejas da Gália (469-542). Era um hino matinal sírio, fazendo parte até hoje dos ofícios bizantinos. Nos ofícios romanos foi incorporado nas missas para domingo e dias santos, salvo os das quadras penitenciais. Em geral é utilizado após a absolvição entretanto, conforme a forma utilizada no LOCb pode variar de lugar na liturgia (após a Coleta por Pureza ou nos Ritos Finais, sendo que no tempo do Advento e da Quaresma devem ser omitidos, assim como qualquer cântico de “Glória”);

e) Kyrie: já presente no clamor de Bartimeu, no Evangelho. Quando os cristãos passaram a incluir essa exclamação no ofício, estavam a confessar Jesus como único Senhor e negando a veneração divina a qualquer senhor deste mundo. “Kyrie Eleison” é, na sua origem, um clamor coletivo da comunidade pelas dores do mundo e não um clamor individual das pessoas pelo perdão dos seus pecados. Pode ser cantado como alternativa ao Glória, mas é usado como resposta ao Resumo da Lei na Ordem Penitencial, ou em resposta a cada afirmação do Decálogo;

f) Confissão, é uma confissão geral de pecados, que deve ser dita de joelhos. A referência foi colocada na revisão de 1675, por influência escocesa, pois que antes o presbítero permanecia de pé, o que ainda acontece na Inglaterra.

g) Absolvição, pode ser pronunciada pelo presbítero, ou pelo bispo, quando presente . Quem a pronunciar, fará voltado para o povo, porque se fala em o nome de Deus, cujas misericórdias não podem ser contadas e com Quem está o perfeito perdão.

h) Coleta do Dia: uma breve oração usada em conexão com alguma parte do culto. Originalmente, todas as litanias finalizavam com uma oração resumindo todas as petições e súplicas (a coleta da litania). Assim, desse papel da oração em reunir, coligir, proveio o nome de coleta (collectio, collecta). Coleta foi, pelo século VI, assimilada na coleta da litania que era usada a guisa de intróito ao ofício de comunhão. É devido a esse incidente que as nossas coletas de hoje, na sua grande maioria, tem como tema rogar pela graça e misericórdia divinas e, assim, como conclusão penitencial.


LITURGIA DA PALAVRA

a) Leituras: foi provavelmente São Jerônimo (340-420) quem primeiro escolheu e dispôs as Epístolas e os Evangelhos. A leitura do Antigo Testamento e Epístolas devem ser feitas do atril pelo(a) leitor(a). O Salmo do Dia deve de ser lido na forma antifonal e seguido do cântico (ou recitação) do Glória Patri (no tempo do Advento e da Quaresma devem ser omitidos, assim como qualquer cântico de “Glória”). O Evangelho é uma seleção de ensinamentos do ministério de Jesus e destina-se a proclamar algum evento da vida de Jesus ou alguns dos seus ensinos admiráveis. O Evangelho deve ser lido no meio da congregação, ou do púlpito (e não do atril), por um Diácono, quando presente, ou outro oficiante.

b) Sermão: após a última leitura bíblica e sua respectiva resposta pela comunidade, a Liturgia da Palavra continua com o Sermão, que deve versar sobre uma das leituras feitas, ou mesmo fazendo referência a todas.

c) Profissão de Fé: o Credo é a declaração oficial das verdades das Sagradas Escrituras sobre a qual se baseia a Igreja. Foi colocado na liturgia para combater as controvérsias. No Oriente, foi introduzido no ano 417, em Antioquia, e em Constantinopla no ano de 511. No Ocidente, o 3º Concílio de Toledo (589) ao inserir o Credo no rito mozárabe contra os arianos. Logo se difundiu na França; mas só foi incorporado à missa romana em 1014. O LOCb contém dois Credos: o Apostólico e o Niceno. O Credo dos Apóstolos é baseado no antigo Credo Romano, que se constituiu a partir do século II, em relação com a celebração do batismo. Foi provavelmente em Roma que tal texto se formou. O Credo Niceno, também conhecido como Niceno-Constantinopolitano, é uma paráfrase, um pouco aumentada, do Credo estabelecido pelo Concílio de Niceia, embora só fosse definitivamente elaborado pelo 2º Concílio, em Constantinopla, em 381. É o único Credo universalmente aceito. O LOCb ainda oferece outras formas de confissão alternativas

d) Oração dos Fiéis (Intercessões): as intercessões são feitas pela Igreja, seus membros e sua missão, pela nação e por todos que exercem autoridade, pela paz e salvação do mundo, pelas preocupações da comunidade local, pelos que sofrem, pelos que partiram.


LITURGIA DA EUCARISTIA

a) Ofertório, as sentenças do ofertório, que foram designadas para serem cantadas como antífonas (offertoria), servem agora somente para anunciar que se vai proceder à coleta nos serviços divinos e que vai começar o ato de oblação na ordem para a administração da Ceia do Senhor, podendo cantar-se um hino durante o mesmo. É parte invariável do culto desde o período apostólico (cf. 1Co 16.2). As salvas recebidas pelo ministro serão solenemente apresentadas e postas na Santa Mesa, passando depois para a credência, que é a mesa auxiliar. As ofertas partem do povo e significam seu respeito e louvor de gratidão a Deus. As oferendas serão apresentadas quando o povo estiver de pé. Faz-se, ainda, o ofertório ou apresentação dos elementos eucarísticos.

b) Saudação da Paz, feita após as intercessões, preparando para a o ofertório, é uma saudação entre as pessoas participantes do ofício litúrgico. O Novo Testamento menciona, como saudação, o ósculo santo, costume ainda comum nos povos orientais que, infelizmente, as igrejas ocidentais perderam (pode ser utilizada após a oração do Pai Nosso).

c) Oração Eucarística, a parte central, a parte sacrificial por excelência da Celebração da Santa Eucaristia. Sua correspondente nos ritos orientais é a “Anáfora”, e no romano, o “Cânon”. As palavras da Oração Eucarística não são fórmulas, mas uma oração que a comunidade dirige a Deus, conforme um padrão básico comum. Esse padrão parece estar preservado numa Oração Eucarística registrada na Tradição Apostólica de Hipólito de Roma e anotada por volta do ano 215:

I) Saudação, um diálogo introdutório, cuja origem é o judaica (Seder);

II) Sursum Corda, convida-se a comunidade a elevar seus corações, o que equivale dizer pensamentos, a Deus (é um dialogo entre o celebrante e os comungantes que precede à eucaristia em todas as liturgias históricas);

III) Ação de Graças, o celebrante convida a todos a participar das ações de graças. Com estes três elementos, forma-se a chamada: Introdução (ou Diálogo), Sursum Corda e Convite.

IV) Prefácio, há dois prefácios: um permanente e outro do dia (chamado também de Próprio). Permanente: ao dar graças pelas grandes obras de Deus no passado (como Criador e Redentor), a comunidade proclama a sua fé na continuidade de tais atos no futuro. A confiança na continuidade da fidelidade Deus é que permite à comunidade entrar na celebração da Eucaristia, com a certeza de que ali Cristo estará presente e se entregará às pessoas comungantes. Próprio: muda conforme o dia, e no rito romano é considerado como uma porção introdutória à Oração. No LOCb, há Prefácios Próprios para o Natal, Epifania, Purificação, Anunciação, Transfiguração, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Santíssima Trindade, todos os santos etc. São os grandes eventos da vida de Jesus ou de significação histórica e doutrinária para Igreja. Variam conforme o Calendário Cristão, representam a significação e intenção da eucaristia que se celebra.  Os prefácios são expressões de nosso louvor a Deus pelas fases grandiosas do mistério da encarnação e da salvação.

V)    Sanctus, o uso frequente do Sanctus no ritual judaico talvez tenha influenciado em sua inclusão na liturgia. Às vezes dá-se o nome de Triságio ao Sanctus.

VI) Benedictus, a saudação proferida pela multidão a Jesus quando de entrada triunfal em Jerusalém (Mt 21,9). Todas as liturgias anteriores à Constituição Apostólica (350) inserem o Benedictus após o Sanctus, exceto a liturgia do Egito. O LOC de 1549 uniu ao texto original do Sanctus o versículo de Lc 18.38, paráfrase que permaneceu, mesmo depois dos cortes feitos pela revisão de 1552.

VII) Memorial, refere-se à redenção. O rito romano se distingue pelo aspecto sacrificial, de modo que oblação é o tema que se nota por quase todo o cânone. O sacrifício, entretanto, é essencialmente eucarístico, isto é, trata-se de ação de graças pelos frutos da terra, pão e vinho, rogando que Deus os abençoe para a comunhão dos fiéis. Com o intuito de evitar que continuassem a interpretar as expressões do rito primitivo da eucaristia numa perpetuação do sacrifício do calvário, Cranmer eliminou toda a ideia de oblação dos elementos, fazendo com que as frases tivessem referência não aos elementos, mas às aspirações dos ofertantes, registrando na oração que o sacrifício e a morte de Jesus na cruz são únicas e definitivas.

VIII) Palavras da Instituição, em forma de uma narrativa, conforme pronunciadas por Jesus (cf., 1Co 11,24-25). A sua função é recontar o relato da Última Ceia de Jesus com seus discípulos, ou seja: autoridade para celebrar a Eucaristia não vem da comunidade, mas de Jesus na ultima ceia. Por isso, reconta-se aqui a narrativa da instituição. Ao dizer as palavras sobre o pão, ergue-se a hóstia, fazendo-se o mesmo com o cálice.

IX) Anamnese, in memoriam mei, não é mera lembrança, recordação, mas realização. A Anamnese chama, invoca uma pessoa ou um acontecimento do passado e o torna presente, ativo, efetivo, aqui e agora. “Seguindo o mandamento de Teu Filho, comemoramos, até que Ele venha”. A Anamnese torna eficiente ao comungante a obra de Jesus ocorrida no passado. O que aconteceu lá se torna válido, na Anamnese, ao comungante. Tem duas partes: , ela lembra aspectos essenciais da vida e obra de Jesus (a encarnação, a paixão, ressurreição e ascensão do Senhor; muitas vezes, cita também a mediação de Cristo à direita do Pai e sua Segunda vinda); 2ª, traz a declaração explícita de que se está aqui oferecendo o pão e o cálice, exatamente com esse significado e objetivo de celebrar a obra de Cristo, em obediência à Sua ordem.

X) Epiclese, termo grego, designa, normalmente, o pedido ao Pai, para que envie o Espírito Santo. Há dois tipos de epiclese nas Orações Eucarísticas: epiclese de consagração: invocação do Espírito sobre os elementos eucarístico, separando-os do uso comum ao sagrado; epiclese de comunhão: invocação do Espírito para que realize aquilo que é o fruto da Eucaristia, a comunhão em Cristo, sendo, assim, uma invocação do Espírito sobre a Igreja. Por meio dela se expressa que nem a pessoa oficiante, nem a comunidade, nem a Igreja são proprietárias da Eucaristia. Nenhuma delas tem em seu poder realizar o que a Eucaristia deve realizar, mas, somente Deus, por Seu Espírito.

XI) Intercessão pela Igreja, no mundo inteiro, pelos bispos, pelos ministros e fiéis, pelos falecidos que morreram na esperança da ressurreição, na memória dos santos e mártires, podendo ser uma intercessão geral.

XII) Doxologia, quer dizer “louvor”, “ação de graças”. A Oração Eucarística termina assim como começou. Trata-se de uma doxologia trinitária, ou seja, de uma exaltação da Trindade.

XIII) Amém.

d) Pai Nosso. Podendo seguir-se a saudação da paz, se não foi feita anteriormente.

e) Fração do Pão, ao partir dir-se-á um dos textos previstos no LOCb.

f) Agnus Dei, cântico primeiramente adotado na liturgia de São Tiago de Jerusalém, que pode ser dito ou cantado ou mesmo fazer a Oração de Humilde Acesso, ou ainda, cantar um hino apropriado.

g) Comunhão do Celebrante, que deverá ser feita enquanto se canta o Agnus Dei ou outro hino escolhido.

h) Comunhão dos presentes, que deve ser feita com os mesmos vindo á frente, ajoelhando-se, e com as palavras ditas pelo celebrante: “O corpo (sangue) de nosso Senhor Jesus Cristo te preserve na vida eterna”.

i) Coleta Pós Comunhão, o LOCb a insere como ação de graças depois da Comunhão. Neste ponto, retornou-se ao padrão das liturgias orientais, estabelecendo uma forma fixa.

RITOS FINAIS

a) Glória in Excelsis, se este cântico não foi feito ao início da liturgia, será incluído aqui, ao final do serviço religioso.

b) Bênção, retirada dos ritos romanos, continuou a ser usada nos ritos galicanos e naturalmente na Inglaterra, até ao tempo da Reforma, com formas variadas que se alteravam, conforme a estação eclesiástica, no Sarum. Era, porém, prerrogativa episcopal somente. No LOCb o ofício termina com uma bênção pronunciada pelo presbítero, em o nome de Deus. A bênção realizada pelo celebrante com os braços erguidos e a palma das mãos voltadas para baixo, sobre a congregação. Este é um gesto de imposição de mãos sobre os eclesianos.

c) Despedida, Cranmer deixou de lado o ite, missa est, substituindo pelo “vamos partir em paz” do rito bizantino, que lhe inspirou a buscar a frase de Paulo em Fl 4.7, com que se inicia a fórmula que temos em no LOCb, e que é privilégio do Diácono proferir.



* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; Venerável Arcediago Sul-Sudeste; Frei da Ordem Franciscana Anglicana (OFA).
Contato: revbeto@gmail.com .

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sacramento: Doutrina e Rito

Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto (*)

 

 

A doutrina está relacionada ao entendimento. O rito está relacionado ao fazer. Entretanto, a doutrina está estritamente ligada ao rito, no que diz respeito à religião. O rito é, por isso mesmo, a expressão visível da doutrina; e a doutrina, por sua vez, a explicação correta do rito. Deste modo, no centro do Culto deve ver-se o centro da doutrina cristã. Não foi sem razão que os reformadores procuraram definir corretamente o significado da Ceia do Senhor. A Santa Ceia é o rito central do Culto.


O centro da doutrina de Cristo está plenamente apresentado no Sacramento da Ceia do Senhor que, enquanto ritual expressa, de modo visível, aquilo que nos diz a palavra do Evangelho da Graça de Jesus Cristo. Foi Jesus mesmo quem disse: “o Meu corpo é verdadeira comida”. Eis, aí o mistério da fé. Nesta expressão está o mistério da nossa salvação. Estar salvo é estar unido a Cristo. Estar salvo é participar de Seus benefícios. É fruir dos Seus santos dons.

Na Santa Comunhão é justo isso que se apresenta diante de nós: Cristo e a oferta de Sua vida para que tivéssemos vida abundante. Mais que uma refeição, participar deste ato sagrado é a salvação. Pois não há outra forma, nem outro nome pelo qual sejamos salvos, senão pelo Santo Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, afirma um dos nossos artigos de fé:

Os Sacramentos não foram instituídos por Cristo para servirem de espetáculo, ou serem levados em procissão, mas, sim, para devidamente os utilizarmos. E só nas pessoas que dignamente os recebem é que produzem um saudável efeito ou operação; mas, os que indignamente os recebem, adquirem para si mesmos a condenação, como diz São Paulo”.

Ao nos aproximarmos da Santa Mesa, façamos humildemente, levando no coração a certeza que a fé nos confere de que estamos unidos a Cristo e Ele conosco, mistério da nossa salvação.

Desejo a todas as nossas comunidades um domingo feliz e muito abençoado, à volta da Palavra e da Mesa do Senhor.



* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; Venerável Arcediago Sul-Sudeste na 2ª. Região Eclesiástica da DR; Frei da Ordem Franciscana Anglicana (OFA). Este artigo foi compartilhado no dia 06/08/2011, Anno Domini – dia em que lembramos João Ferreira de Almeida, primeiro tradutor da Bíblia para o português, 1691 A.D.

 

sábado, 11 de junho de 2011

Mensagem Arcediagal

Domingo de Pentecostes  


  “Quando Ele vier convencerá o mundo.”  João 16.8

O Espírito Santo veio sobre o Corpo de Cristo, a Igreja, para lhe trazer vida, conceder-lhe dons, outorgando-lhe a capacitação para desenvolver o ministério cristão. A Igreja é o instrumento por excelência da ação do Espírito de Deus no mundo. Por isso, via de conseqüência cabe à Igreja, como instrumento do Espírito, convencer o mundo.
Convencer, no original grego, significa argumentar, apresentar provas. A Igreja se faz de membros convictos, de gente que sabe argumentar o motivo de sua fé. Como, para uma boa argumentação, é necessário saber, não somente falar, mas, também, ouvir (quem pensa que tudo sabe, na verdade, tornou-se incapacitado para uma boa argumentação; é alguém que só sabe decretar). A Igreja como boa convencedora da verdade, se faz de pessoas que sabem ouvir (pois quem não sabe ouvir não tem como responder). Pessoas inaptas a ouvir acabam respondendo perguntas que ninguém está fazendo.
A Igreja é instrumento do Espírito para convencer o mundo, por que ela ouve a voz de clamor dos que sofrem e padecem neste mundo: o grito do dorido, angústia do necessitado, o desespero do afligido. A Igreja está rediviva no poder do Espírito porque sabe sofrer com os que sofrem. Este, talvez, seja o melhor argumento para convencer o mundo da verdade de Cristo: imitá-lO. Há que haver na Igreja uma disposição para assumir a dor alheia, a dor deste mundo, que jaz no maligno, a dor desta sociedade afundada na opressão.

"A Igreja é instrumento do Espírito para convencer o mundo, por que ela ouve a voz de clamor dos que sofrem e padecem neste mundo: o grito do dorido, angústia do necessitado, o desespero do afligido."

 As provas que a Igreja apresenta sobre a verdade de Cristo são, para falar como Paulo, as marcas de Jesus. Sua argumentação não é primeiramente lógica, filosófica, ou mesmo teológica. O maior argumento da Igreja é o argumento prático. Ela demonstra a vida que há em Cristo pela vida que vive. Os argumentos dos lábios da Igreja são convincentes porque ela diz e faz. Se digo uma coisa e realizo outra estou longe de convencer alguém.
Comprovar e demonstrar a verdade de Jesus Cristo, como instrumentos do Espírito Santo, convencendo o mundo, essa é a nossa tarefa como Corpo de Cristo, redivivo pelo Santo Espírito para o convencimento do mundo.

Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes+, ofa

sábado, 23 de abril de 2011

Livro de Oração Comum Brasileiro - LOCb

Ofício da Sexta-Feira Santa I 
(Liturgia das Sete Palavras)


PROCESSIONAL
em silêncio

Ministro:Não vos comove isto, a todos vós que passais pelo caminho? Considerai e vede se há dor igual a minha, que veio sobre mim, com a qual o Senhor me afligiu. Lam.1:12

Todos:

No qual temos a redenção pelo seu Sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça. Ef.1:7

Ministro:

O Senhor seja convosco.

Todos:

E com o teu espírito.

Ministro:

Oremos.
Favorece-nos, misericordioso Deus da nossa salvação, a fim de que meditemos agradecidos nos portentosos eventos pelos quais nos outorgaste vida e imortalidade; por Jesus Cristo nosso Senhor.

Todos:

Amém.


CONFISSÃO E ABSOLVIÇÃO DE PECADOS

Ministro:Confessemos humildemente os nossos pecados a Deus Todo–Poderoso.

Todos:

Ó Poderosíssimo Deus e Pai misericordioso, que tens compaixão de todos os homens, e que não desejas a morte do pecador, porém seu arrependimento e salvação; Misericordiosamente perdoa-nos as nossas transgressões; recebe-nos e conforta-nos a nós que estamos entristecidos e mortificados com o peso de nossas culpas. Tua propensão é ter sempre misericórdia; só a ti pertence o perdoar os pecados. Perdoa-nos, portanto, bom Senhor, perdoa ao teu povo, que remiste; não entre em juízo com os teus servos, porém de tal maneira aparta de nós a tua ira, de nós que reconhecemos, humildes, as nossas transgressões e verdadeiramente nos arrependemos de nossas faltas, e assim apressa-te a ajudar-nos neste mundo, a fim de que vivamos para sempre neste mundo contigo no nosso mundo vindouro; mediante Jesus Cristo nosso Senhor. Amém


DECLARAÇÃO DE ABSOLVIÇÃO

Ministro:O Senhor Onipotente e misericordioso nos dê a Absolvição e Remissão de todos os nossos pecados, verdadeiro arrependimento, emenda de vida; a graça e a consolação de seu Santo Espírito.

Todos:

Amém.

Hino
MEDITAÇÃO SOBRE A PRIMEIRA PALAVRA DA CRUZ

"Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem"


Ministro:Senhor, tem piedade de nós.

Todos:

Cristo, tem piedade de nós.
Ministro:Senhor, tem piedade de nós.

(Oração silenciosa)

Todos:Onipotente Deus, cujo Filho muito amado não gozou perfeita alegria senão após o sofrimento e só subiu à glória depois de crucificado. Concede-nos misericordioso que, seguindo o caminho da cruz, seja este para nós vereda de vida e paz; pelo mesmo Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor. Amém.

MEDITAÇÃO SOBRE A SEGUNDA PALAVRA DA CRUZ

“Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no paraíso”

Ministro:Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.
Todos:Tem misericórdia de nós.
 Ministro:Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.
Todos:Tem misericórdia de nós.
Ministro:Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo.
Todos:Dá-nos a tua paz.

(Oração silenciosa)

Todos:Todos: Ó Eterno Deus, que mantêm viva todas as almas; outorga, te suplicamos, a toda a tua Igreja na terra e no paraíso, tua luz e paz; e permite que nós sigamos os bons exemplos daqueles que te serviram aqui e que agora descansam, entremos com eles no teu eterno gozo; por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Hino


MEDITAÇÃO SOBRE A TERCEIRA PALAVRA DA CRUZ

“Mulher, eis aí o teu filho. Filho, eis aí tua mãe”

Ministro:
Ó Senhor Deus, cuida de todas as parturientes e enfermos; protege as crianças.
Todos:Suplicamos-te que nos ouças, bom Senhor.
Ministro:
Defende os órfãos e viúvas e a todos os desolados e oprimidos.
Todos:Suplicamos-te que nos ouças, bom Senhor.

(Oração silenciosa)

Todos:Onipotente Deus, confiamos todos os que nos são caros ao teu infalível amor e cuidado, para a presente vida e para a vindoura; sabendo que tu estás fazendo por eles muito mais do que nós podemos desejar ou pedir; por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Hino

MEDITAÇÃO SOBRE A QUARTA PALAVRA DA CRUZ

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Ministro:
Nós, pecadores, te imploramos, ó Senhor Deus, que nos ouças e nos libertes; por tua agonia e suor de sangue; por tua cruz e paixão; por tua preciosa morte e sepultura; por tua gloriosa ressurreição e admirável ascensão; e pela vinda do Espírito Santo.
Todos:Livra-nos, bom Senhor.
Ministro:
No tempo de nossa tribulação, no tempo de nossa prosperidade; à hora da morte, e no dia do juízo.
Todos:Livra-nos, bom Senhor.

(Oração silenciosa)

Todos:Conforta, suplicamos-te, clementíssimo Deus, os teus servos abatidos e desanimados em meio às tristezas e dificuldades do mundo; e concede que, pelo poder do teu Santo Espírito, prossigam alegres em sua jornada na vida, dando-te contínuas graças por tua longânima providência; por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Hino

MEDITAÇÃO SOBRE A QUINTA PALAVRA DA CRUZ

“Tenho sede!”

Ministro:Salva, Senhor, os teus servos;
Todos:Que em ti confiam.
Ministro:Do santuário envia-lhes auxílio;
Todos:E defende-nos sempre por teu poder.
Ministro:Ouve, Senhor, os nossos rogos;
Todos:E chegue a ti o nosso clamor.
 
(Oração silenciosa)

Todos:Guarda, te suplicamos, ó Senhor, a tua Igreja com tua misericórdia perpétua; e visto que a fragilidade humana, sem ti não pode evitar a queda, livra-nos de contínuo com teu auxílio de tudo quanto é nocivo, e guia-nos ao que é proveitoso à nossa salvação; mediante Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Hino

MEDITAÇÃO SOBRE A SEXTA PALAVRA DA CRUZ

“Está consumado!”

Ministro:Não nos trate, Senhor, qual merece os nossos pecados.
Todos:Nem nos recompenses conforme as nossas iniqüidades
.
Ministro:Considera, misericordioso, os pesares de nossos corações.
Todos:Perdoa compassivo os pecados de teu povo.

(Oração silenciosa)

Todos:Onipotente Deus que criaste o homem à tua própria imagem, concede-nos a graça de lutar destemidos contra o mal e jamais nos conformar com a opressão; e, para que usemos com reverência a nossa liberdade, ajuda-nos a empregá-la na manutenção da justiça entre os homens e as nações, à glória de teu Santo nome; por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Hino

MEDITAÇÃO SOBRE A SÉTIMA PALAVRA DA CRUZ
 
“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!”

Ministro:Atende-nos agora e sempre, ó Cristo!
Todos:
Escuta-nos, ó Cristo; escuta-nos por tua celeste piedade, ó Cristo Senhor.
Ministro:Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo;
Todos:Como era no princípio, é agora, e será sempre, por todos os séculos. Amém.

(Oração silenciosa)

Todos:Ó Deus, que aos bons confere discernimento e aos piedosos fazes, nas trevas, resplandecer a luz; concede-nos, em todas as nossas dúvidas e incertezas, a graça de pedir o que é de teu agrado, a fim de que o Espírito de Sabedoria nos livre de toda má escolha, e que esclarecidos pela tua luz, percorramos, sem tropeço, os teus retos caminhos; por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Hino

Todos:
Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra;
E em Jesus Cristo seu único Filho, nosso Senhor: O qual foi concebido por obra do Espírito Santo, Nasceu da Virgem Maria; Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, Foi crucificado, morto e sepultado; Desceu ao Hades; Ressuscitou ao terceiro dia; Subiu ao céu, E está sentado à mão direita de Deus Pai Todo-poderoso: Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
Na santa Igreja Católica;
Na comunhão dos santos;
Na remissão dos pecados;
Na ressurreição do corpo;
E na Vida Eterna. Amém.
Estando o povo ajoelhado, será despedido com a bênção:
Ministro:O Deus da Paz, que ressuscitou dos mortos pelo sangue da Sempiterna Aliança, a Jesus Cristo, Senhor nosso, grande Pastor das ovelhas, nos aperfeiçoe em toda a boa obra para fazermos a sua vontade, operando em nós o que seja agradável aos seus olhos; mediante Jesus Cristo, ao qual seja glória pelos séculos dos séculos.

Todos:Amém.
Recessional em silêncio
 ***

Mensagem de Páscoa do Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa


Queridos irmãos,
Queridas irmãs, 

O termo páscoa vem do hebraico “pessach” e significa “passagem”: era o solstício da lua (sua “passagem” pelo ponto mais alto), e, mais tarde, a celebração do êxodo do Egito, quando “passou” o Anjo da Morte e os hebreus saíram da escravidão. Jesus ressuscitou na Páscoa: foi sepultado, passou pela morte, mas ressurgiu vencendo a morte, seu medo e seu terror.
Por isso celebramos a Páscoa, porque Jesus ressuscitou dentre os mortos:
 
  • assim, olhamos para o futuro e galgamos, cada passo, com o coração repleto de esperança, ousadia e coragem;
  •  e, por isso, sabemos que tudo pode ser diferente: Ele venceu o maior inimigo, a morte;
  • assim, não há pedra, por maior que seja, que possa barrar o caminho, impedir a vida ou frustrar os nossos sonhos;
  • e, por isso, novas sepulturas podem se abrir para a vida em abundância
  •  assim, lágrimas e dores podem cessar, angústias e desesperos podem parar;
  • e por isso, nunca mais a vida será tangida pelo medo, pelo terror, pelo horror, estas armas malditas e demoníacas foram definitivamente vencidas;
  • assim, toda pergunta encontrará resposta, toda questão encontrará solução, toda busca encontrará sentido, todo conhecimento e toda ciência redundarão em vida;
  • e por isso, a felicidade alcançará o coração triste, a paz reinará tornando o tumulto e sossego, o caos em ordem, a desordem em harmonia;
  •  assim, a violência, o ódio, a amargura e a maldade não mais resistirão à força do amor;
  • e, por isso, as cadeias se abrirão, tumbas também, as correntes que oprimem quebrar-se-ão;
  • assim, o logo comerá palha com o boi e as crianças brincarão na toca da serpente e não haverá dano, nem mal algum;
  • e, por isso, a verdade e a justiça se abraçarão, a justiça e a paz se beijarão, verdade e bem andarão juntos, porque o amor será o companheiro de todos.

A Páscoa do Senhor é a passagem daquela antiga realidade para a nova e abençoada realidade, onde as janelas celestes se abriram e Deus, em Cristo, sorriu para todos nós que ainda cremos no amor, na justiça, no bem, na liberdade, na harmonia, na paz. FELIZ PÁSCOA a todos e todas quando, neste dia de dor temos a esperança do Domingo pois, a dor pode durar uma noite inteira mas, pela manhã vem a alegria.
Ven.Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes+, ofa